
Sempre que vejo alguém falando dessa possibilidade lembro do comentário de Jack Nicholson quando soube da morte do ator: “Eu o avisei!”,dando uma risada á la coringa, isso ,que Jack Nicholson ja havia se declarado "furioso" por não ter sido chamado para o coringa " só eu sei fazê-lo"disse ele á entrevista para o Mtv News . Nicholson interpretou o Coringa em 1998. Muitos atores relatam experiências estranhas ou mudanças profundas na personalidade após interpretarem certos personagens. Será que o Coringa faz parte desse grupo?Certamente, todas as especulações são reforçadas após ver o filme e se deparar com o Coringa mais doentio que o cinema já viu.Pouco antes de morrer de overdose, Ledger revelou em uma entrevista para o New York Times que tinha dificuldade de dormir a noite, que não conseguia para de pensar no personagem. Além disso, muitas pessoas que conheciam Ledger afirmaram que após interpretar o Coringa ele apresentou certo desvio de personalidade.Ele realmente deve ter pensando em coisas muito cruéis no processo de construção do vilão. Mais do que pensado, ele deve ter tentado se colocar como se vivenciasse a mente doentia do Coringa. Caso ele tenha sido bem sucedido nessa busca interior, quem pode afirmar que não existe a possibilidade de danos psicológicos?O Batman é um herói sem poderes extraterrestres ou coisa parecida. É um humano como outro qualquer. É por isso, que em sua luta contra o crime ele não pode errar. Um único erro pode significar sua morte e a de outras pessoas. Ele não é como o Super-homem e outros heróis que podem abafar uma granada nas mãos ou receberem rajadas de metralhadora sem danos. A seu favor ele tem uma inteligência apurada, muitos equipamentos e um ótimo marketing pessoal.As histórias do Batman são sempre como um jogo de Poker, um constante estudo de personalidade. Então surge o Coringa, totalmente imprevisível, sem metas ou objetivos claros, propositalmente incoerente, mentiroso e verdadeiro ao mesmo tempo, sem vínculos, sem o menor interesse financeiro. E para ajudar, provido de uma mente tão brilhante quanto doentia.O vilão perfeito para acabar com o mundinho de socos e chutes do Batman.O principal talento do Coringa é usar a força de seus adversários contra eles mesmos. Não a força física, é claro, mas aquela força interior que nos define e orienta. Ele surge e distorce tudo. É sem dúvida um personagem fantástico. O vilão apropriado para um personagem igualmente complexo que é o Batman.Acho que o Coringa toma uma nova dimensão após Ledger ter revelado o lado mais sombrio e doentio do personagem.
Personagens intensos
Entretanto, são muitas as lendas de atores que mergulharam tão fundo em determinados personagens que colocaram em risco sua própria saúde mental. Uma das histórias mais famosas é a de Malcom McDowell, protagonista do clássico futurista “Laranja mecânica”, de Stanley Kubrick.
Após interpretar o criminoso ultraviolento Alex, que na trama é submetido a um tratamento psicológico perturbador, McDowell se entregou ao vício em cocaína e chegou a ser internado em clínicas de reabilitação.“Kubrick era o tipo de pessoa que espremia o ator até que ele enlouquecesse, e quando o filme terminava, virava as costas. É claro que fui prejudicado; larguei minha alma naquele filme”, disse McDowell, em 2004, numa entrevista ao jornal britânico “The Guardian”.No cinema brasileiro, também há casos de atores que se deixaram levar pela intensidade de um personagem. Wagner Moura, por exemplo, descreve sua experiência na pele do célebre Capitão Nascimento como “um massacre psicológico”. “Foi a experiência mais louca que tive na minha vida”, disse o ator em entrevista ao G1.O ator e quadrinista Lourenço Mutarelli é outro que explorou os limites de sua saúde psicológica ao mergulhar num papel, no caso, o protagonista de “O natimorto” -- filme baseado na obra do próprio Mutarelli. “Na história, o personagem tem ataques epiléticos, e eu achei que era legal misturar as coisas, deixar que ele invadisse minha cabeça”, conta.Durante as filmagens, Mutarelli passou quatro semanas praticamente enclausurado em um quarto, atuando por mais de 14 horas por dia. “Não tinha mais vida e cheguei a emagrecer nove quilos. Depois de um certo ponto, quis ficar morando no set direto, achei que precisava sentir na pele a loucura do personagem, mas as pessoas começaram a ficar com medo.”Sair do personagemPara o Mutarelli, o mergulho no personagem não terminou com as filmagens. “Levei o roupão do figurino de presente e até hoje uso em casa direto, é como se o personagem continuasse em mim”, afirma.A atriz pernambucana Hermila Guedes também enfrentou dificuldade para “sair do personagem” depois da rodagem de “O céu de Suely”, de Karim Aïnouz. “A volta para casa é dura; durante umas três semanas ainda me comportava como a personagem, olhava o mundo com os olhos dela, sentia o cheiro dela nos lugares. Era como se a vida não tivesse mais graça”, diz Hermila, que no filme divide seu nome com a personagem.Porém, tanto Hermila quanto Mutarelli e Wagner Moura afirmam que em nenhum momento temeram perder o controle da situação. “Sou um ator que gosta de se submeter a esse tipo de experiência, é o meu trabalho e faço com satisfação”, diz Wagner. “Interpretar um personagem intenso pode ser perigoso, mas só para um ator que já tem uma vida vazia ou que passa por um momento ruim”, diz Mutarelli. [fonte g1.globo]
Personagens intensosEntretanto, são muitas as lendas de atores que mergulharam tão fundo em determinados personagens que colocaram em risco sua própria saúde mental. Uma das histórias mais famosas é a de Malcom McDowell, protagonista do clássico futurista “Laranja mecânica”, de Stanley Kubrick.
Após interpretar o criminoso ultraviolento Alex, que na trama é submetido a um tratamento psicológico perturbador, McDowell se entregou ao vício em cocaína e chegou a ser internado em clínicas de reabilitação.“Kubrick era o tipo de pessoa que espremia o ator até que ele enlouquecesse, e quando o filme terminava, virava as costas. É claro que fui prejudicado; larguei minha alma naquele filme”, disse McDowell, em 2004, numa entrevista ao jornal britânico “The Guardian”.No cinema brasileiro, também há casos de atores que se deixaram levar pela intensidade de um personagem. Wagner Moura, por exemplo, descreve sua experiência na pele do célebre Capitão Nascimento como “um massacre psicológico”. “Foi a experiência mais louca que tive na minha vida”, disse o ator em entrevista ao G1.O ator e quadrinista Lourenço Mutarelli é outro que explorou os limites de sua saúde psicológica ao mergulhar num papel, no caso, o protagonista de “O natimorto” -- filme baseado na obra do próprio Mutarelli. “Na história, o personagem tem ataques epiléticos, e eu achei que era legal misturar as coisas, deixar que ele invadisse minha cabeça”, conta.Durante as filmagens, Mutarelli passou quatro semanas praticamente enclausurado em um quarto, atuando por mais de 14 horas por dia. “Não tinha mais vida e cheguei a emagrecer nove quilos. Depois de um certo ponto, quis ficar morando no set direto, achei que precisava sentir na pele a loucura do personagem, mas as pessoas começaram a ficar com medo.”Sair do personagemPara o Mutarelli, o mergulho no personagem não terminou com as filmagens. “Levei o roupão do figurino de presente e até hoje uso em casa direto, é como se o personagem continuasse em mim”, afirma.A atriz pernambucana Hermila Guedes também enfrentou dificuldade para “sair do personagem” depois da rodagem de “O céu de Suely”, de Karim Aïnouz. “A volta para casa é dura; durante umas três semanas ainda me comportava como a personagem, olhava o mundo com os olhos dela, sentia o cheiro dela nos lugares. Era como se a vida não tivesse mais graça”, diz Hermila, que no filme divide seu nome com a personagem.Porém, tanto Hermila quanto Mutarelli e Wagner Moura afirmam que em nenhum momento temeram perder o controle da situação. “Sou um ator que gosta de se submeter a esse tipo de experiência, é o meu trabalho e faço com satisfação”, diz Wagner. “Interpretar um personagem intenso pode ser perigoso, mas só para um ator que já tem uma vida vazia ou que passa por um momento ruim”, diz Mutarelli. [fonte g1.globo]
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